OS ANJOS SÃO SERES NUMEROSOS


“Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembleia” (Hb 12.22).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da organização dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “organização” busca-se compreender o “sistema”, “o modo pela qual se organizam” os seres angelicais, isto é, a estrutura na qual são designados. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que Deus criou uma numerosa quantidade de anjos e os organizou em classes ou categorias, ordens ou graus, multidões ou companhias, como uma hierarquia. É o que descreve a seguir.

A Bíblia não informa exatamente o número dos anjos que Deus criou (Hb 12.22), mas é certo que o elevado número é definido, pois não se aumenta nem diminui. A palavra “incontáveis” (murias, gr.) do texto de Hebreus não é uma referência a um número infinito, ou uma indicação que o Senhor continua criando anjos, porém, alude a “uma quantidade grandiosa”. Algumas expressões bíblicas expressam justamente essa grande quantidade de seres angelicais criados: miríades, milhares, milícia/exército, legião, legiões, milhões de milhões e milhares de milhares.

A palavra “incontáveis” (murias, gr.) também foi traduzida por “miríades” (Dt 33.2; Dn 7.10; Jd 1.14), podendo se referir a um grupo de dez mil ou a uma multidão incontável. Assim como “incontáveis” não é referência para um número infinito, “vinte mil” não é uma referência ao número finito de anjos (II Re 6.17; Sl 68.17). Basta a leitura dos textos no bojo desse aspecto para compreender esse fato. Ademais, em muitos textos bíblicos os anjos são associados como “exércitos” ou “milícia celestial” (Sl 103.20-21; I Re 22.19; Lc 2.13). Ambas as palavras designam uma tropa militar organizada e grandiosa. Daí nosso Deus ser chamado de o “Senhor dos Exércitos” (I Sm 1.11). Ora, uma outra expressão militar é usada para identificar a quantidade numerosa de anjos: o termo “legião” ou “legiões” (Mc 5.9, 15; Mt 26.53; Sl 148.2). Tendo em vista o grande tamanho de uma legião (entre seis e sete mil soldados), o termo passou a designar uma multidão organizada. Esse grande ajuntamento angelical é visto por João quando o mesmo teve a visão apocalíptica do livro com sete selos, passando a ouvir a voz de “milhões de milhões e milhares de milhares”. Era a voz de muitos anjos (Ap 5.11).

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais, morais, poderosos, imortais e numerosos, sejam eles eleitos ou reprovados.

Rev. Ângelo Vieira da Silva
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A NATUREZA DOS ANJOS



Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais (link de todas as pastorais sobre angelologia).

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres criados, espirituais, incorpóreos, poderosos, imortais, racionais e morais, sejam eles eleitos ou reprovados. Vejamos mais detalhes:

1.1. Os Anjos são Seres Criados. Os anjos não são deuses nem uma raça. São criaturas distintas, seres mais elevados que o homem, razão pela qual também não devem ser interpretados como seres humanos glorificados. Ora, o “exército do céu”, as “legiões celestes” foram criadas pelo Senhor (Sl 148.2, 5; Cl 1.16). Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11). Saiba mais aqui.

1.2. Os Anjos são Seres Espirituais e Incorpóreos. Extraordinariamente, algumas passagens bíblicas apresentam alguns anjos assumindo uma forma física (Gn 18.2, 8; Gn 19.1, 3; Hb 13.2). Ao que parece, esses acontecimentos se deram para uma melhor compreensão da revelação divina e convencimento da realidade da presença angelical. Entretanto, ordinariamente, a maioria dos textos bíblicos apresenta que os anjos não possuem estrutura física como os homens, pois são incorpóreos; são seres espirituais. Eis os argumentos principais: são chamados de espíritos, de forças espirituais, não têm carne nem ossos, não se casam, muitos cabem num espaço limitado e são invisíveis. Saiba mais aqui.

1.3. Os Anjos são Seres Poderosos e Imortais. Apesar de limitados, os seres angelicais possuem poder e, uma vez criados, viverão para sempre. Saiba mais aqui.

1.4. Os Anjos são Seres Racionais e Morais. Esse duplo aspecto fundamenta a vontade angelical, suas escolhas e decisões, seus propósitos e interesses, suas disposições e aspirações, seja para o bem ou para o mal (abordarei esse último aspecto adiante). Saiba mais aqui.

1.5. Os Anjos são Seres Eleitos ou Reprovados. O entendimento deste último aspecto da natureza angelical envolve o reconhecimento de um estado original beatífico desses seres que, testados, se constituem como eleitos ou reprovados. Como já referido, é aqui que se estabelece a dicotomia santos anjos e demônios, anjos do céu e caídos, espíritos ministradores e espíritos malignos, anjos bons e maus. É fato que: todos os anjos tiveram um estado original, os anjos que pecaram foram condenados e s anjos que não pecaram são chamados de eleitos. Saiba mais aqui.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais, morais, poderosos, imortais, sejam eles eleitos ou reprovados. Eis a base da natureza angelical.

Rev. Ângelo Vieira da Silva
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OS ANJOS SÃO SERES ELEITOS OU REPROVADOS


Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres eleitos ou reprovados, o que estabelece a dicotomia santos anjos e demônios, anjos do céu e caídos, espíritos ministradores e espíritos malignos, anjos bons e maus. Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11), inclusive os seres angelicais. Assim, como bem declarou Wayne Grudem, teólogo de Cambridge, “os anjos são prova de que o mundo invisível é real”.

Todos os anjos tiveram um estado original. A pouca informação que a Bíblia oferece acerca disso está no Novo Testamento: “e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia”. (Jd 6). Veja: após descrever a rebeldia do povo que saiu do Egito, Judas narra uma rebeldia angelical diante desse estado. Ora, ao fim de Sua obra criadora, viu Deus tudo quanto fizera e eis que era muito bom. Todos os anjos fazem parte desse contexto beatífico, mas alguns abandonaram esse estado deliberadamente. Assim, como retrata o exegeta Simon Kistemaker, “de posições de autoridade passaram a ser prisioneiros em algemas eternas”.

Os anjos que pecaram foram condenados. O texto acima declarou: “ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia”. Note que aqueles que não “guardaram seu estado original” estão “guardados sob trevas”. Não há fundamentos bíblicos suficientes para definirmos objetivamente a natureza do pecado angelical, apenas indicações gerais (1 Jo 3.8; 1 Tm 3.6; Jo 8.44). Nem Judas, nem Pedro ou outro autor bíblico se preocupam com tais detalhes. Entretanto, os textos bíblicos aclaram a condenação dos anjos que abandonaram o seu domicílio: Deus não os poupou e reservou um lugar para eles (2 Pe 2.4; Ap 20.10; Mt 25.41).

Por outro lado, os anjos que não pecaram são chamados de eleitos. Ora, uma parte dos anjos não se ensoberbeceu, não abandonou seu domicílio e guardou seu estado original. Ao escrever a Timóteo, Paulo faz um apelo em nome de Deus, do Senhor Jesus e “dos anjos eleitos” (1 Tm 5.21). O apóstolo queria que Timóteo manifestasse um testemunho solene diante do Santo Deus (o Supremo Juiz), do Santo Filho (o Advogado fiel) e dos santos anjos (testemunhas do julgamento). Mais uma vez, a citação dos anjos eleitos referenda sua presença no julgamento final (Mt 25.31; Ap 14.10).

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais, morais, poderosos, imortais, sejam eles eleitos ou reprovados.

Rev. Ângelo Vieira da Silva
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OS ANJOS SÃO SERES PODEROSOS E IMORTAIS


“E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve. E os guardas tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos” (Mt 28.2-4).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres poderosos e imortais. Apesar de limitados, os seres angelicais possuem poder e, uma vez criados, vivem para sempre. Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11), inclusive os seres angelicais. Assim, como bem declarou Wayne Grudem, teólogo de Cambridge, “os anjos são prova de que o mundo invisível é real”.

Assim como o aspecto do conhecimento, os poderes angelicais podem sobrepujar aos dos homens em muitos sentidos (2 Pe 2.10-11; Hb 2.5-9), ainda que limitados. Entretanto, em Cristo, o poder do homem redimido se revela maior no instante que participam do julgamento dos anjos (1 Co 6.1-3), por exemplo. Na Bíblia, o poder dos seres celestiais é descrito como “valoroso” (Sl 103.20) e derivado do próprio Deus (2 Ts 1.7). Logo, com todo esse poder derivado do próprio Deus executam as suas ordens e lhe obedecem à palavra: “Bendizei ao SENHOR, todos os seus exércitos, vós, ministros seus [anjos], que fazeis a sua vontade” (Sl 103.21).

Em termos de eventos que demonstram tal poder, lembremos que as cidades de Sodoma e Gomorra foram destruída por anjos (Gn 19.13). Igualmente, a densa “pedra do sepulcro” de Jesus foi removida por apenas um anjo (Mt 28.2-4). O livro de Atos revela como um anjo livrou Pedro da prisão (At 5.19-20; At 12.4-10). Até mesmo as figuras apocalípticas reforçam o poder dos anjos (Ap 7.1-3; Ap 14.18; Ap 16.5; Ap 18.1, 21). No fim, serão os anjos enviados para ajuntarem justos e injustos (Mt 24.30-31; Mt 13.39-43), tarefa que, igualmente, exige grande força.

Além de poderosos, os seres angelicais possuem imortalidade. Como já vimos antes, os anjos não são eternos, mas são criaturas imortais, perpétuas: uma vez criados, não estão sujeitos à morte, à dissolução ou aos efeitos do tempo, como o envelhecimento ou enfermidades, pois são imateriais, espirituais: “mas os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam, nem se dão em casamento. Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição” (Lc 20.35-36). Lembre-se que imortalidade – ou perpetuidade – é diferente de eternidade. Consequentemente, entendemos que os anjos não são eternos, mas, uma vez criados, viverão para sempre.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais, morais, poderosos e imortais.

Rev. Ângelo Vieira da Silva
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AS 95 TESES DE LUTERO PARA TWITTER


Em 2017 comemora-se 500 anos da Reforma Protestante, evento histórico marcado pela afixação das 95 teses teológicas que Martinho Lutero gostaria de reformar na igreja de seu tempo. Em comemoração, "twittei" uma tese por dia. Naturalmente, as teses são complexas e maiores que o limite de 140 caracteres do Twitter. Por isso, fiz um resumo ou uma breve explicação do teor de cada uma delas, que passo a transcrever abaixo:

Tese 1: Disse o Senhor e Mestre Jesus: arrependei-vos! Certamente quer que toda a vida dos crentes na terra seja contínuo arrependimento.

Tese 2: E "arrependei-vos" não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, a cargo dos sacerdotes.

Tese 3: O arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.

Tese 4: O arrependimento e o pesar, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, até a vida eterna.

Tese 5: O papa não quer ou pode dispensar penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.

Tese 6: O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que já foi perdoado por Deus.

Tese 7: Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.

Tese 8: Canones poenitendiales, q não as ordenanças de confessar e expiar, apenas aio impostas aos vivos, não dizem respeito aos moribundos

Tese 9: Eis pq o Espírito Santo nos faz bem pelo papa, excluído este de seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema

Tese 10: Procedem mal os sacerdotes que reservam e impõem aos tais moribundos penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.

Tese 11: Este joio, o transformar da penitência e satisfação, em penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.

Tese 12: Penitência e satisfação eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, para provar a sinceridade do arrependimento e do pesar

Tese 13: Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos p/ o direito canônico, sendo dispensados, com justiça, d sua imposição

Tese 14: Piedade ou amor Imperfeitos daquele q se acha às portas da morte resultam em grande temor; quanto menor o amor, tanto maior o temor

Tese 15: Este temor e espanto tão só bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero

Tese 16: Inferno, purgatório e céu parecem tão diferentes qt o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza

Tese 17: Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.

Tese 18: Parece não ter sido provado que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.

Tese 19: Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela.

Tese 20: O papa não quer dizer com as palavras “perdão plenário de todas as penas” q todo tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas

Tese 21: Eis pq erram os apregoadores d indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado d todas penas e salvo mediante a indulgência do papa

Tese 22: Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que deviam ter expiado e pago na presente vida.

Tese 23: Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.

Tese 24: A maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas

Tese 25: O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório qualquer bispo o tem no seu bispado e paróquia, de modo especial ou em particular.

Tese 26: O papa faz bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui).

Tese 27: Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.

Tese 28: No momento em q a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro; a intercessão da Igreja tão só corresponde à vontade d Deus

Tese 29: E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.

Tese 30: Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos pecados.

Tese 31: Tão raro como alguém que possui arrependimento verdadeiros, também é aquele q alcança indulgência, sendo poucos os que se encontram

Tese 32: Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.

Tese 33: Há q acautelasse muito daqueles q dizem: A indulgência é a mais preciosa graça de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.

Tese 34: Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.

Tese 35: Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório não necessitam de arrependimento e pesar.

Tese 36: Todo cristão que se arrepende dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão sem breve de indulgência.

Tese 37: Todo cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.

Tese 38: Não se deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.

Tese 39: É extremamente difícil exaltar diante do povo ao mesmo tempo a riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento.

Tese 40: O verdadeiro arrependimento busca o castigo: mas a indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça quando há oportunidade.

Tese 41: É necessário pregar sobre a indulgência papal para que não se julgue ser a mesma preferível ou melhor às demais obras de caridade.

Tese 42: Deve-se ensinar não ser opinião do papa que a aquisição de indulgência possa ser comparada com qualquer obra de caridade.

Tese 43: Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.

Tese 44: Pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor.

Tese 45: Deve-se ensinar q aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito gasta dinheiro com indulgências provoca a ira de Deus

Tese 46: Deve-se ensinar que, se não houver fartura, fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências

Tese 47: Deve-se ensinar aos cristãos ser a compra de indulgências livre e não ordenada.

Tese 48: Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder + indulgências, + necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro

Tese 49: Deve-se ensinar serem boas as indulgências enquanto o homem não confiar nelas; mas prejudiciais quando se perde o temor de Deus.

Tese 50: Deve-se ensinar q, se o papa tivesse ciência da traficância d indulgências, preferiria ver a cated d S. Pedro ser reduzida a cinzas

Tese 51: Deve-se ensinar aos cristãos que o papa preferiria distribuir o seu dinheiro aos despojados do dinheiro pelos tais apregoadores.

Tese 52: Comete-se injustiça contra a Palavra quando se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.

Tese 53: São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.

Tese 54: Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.

Tese 55: A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado

Tese 56: Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados na Igreja de Cristo.

Tese 57: Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.

Tese 58: Tão pouco são os merecimentos d Cristo, porquanto são eficientes na salvação do homem interior e a cruz a morte p/ o homem exterior

Tese 59: São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.

Tese 60: Afirmamos, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.

Tese 61: Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.

Tese 62: O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

Tese 63: Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.

Tese 64: Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.

Tese 65: Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.

Tese 66: Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.

Tese 67: As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça assim são consideradas pq lhes trazem grandes proventos.

Tese 68: Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais íntima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.

Tese 69: Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência.

Tese 70: Têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários não preguem os seus próprios sonhos.

Tese 71: Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.

Tese 72: Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.

Tese 73: Da mesma maneira em q o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos q em comércio de indulgências procedem astuciosamente

Tese 74: Muito mais deseja atingir com a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade.

Tese 75: Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, significa ser demente.

Tese 76: Afirmamos, pelo contrário, q as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados veniais no q se refere à sua culpa.

Tese 77: Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.

Tese 78: O atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, de acordo com o que diz 1Co12

Tese 79: Afirmar ter a cruz de indulgências adornada na igreja com as armas do papa tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.

Tese 80: Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.

Tese 81: Enaltecer a Indulgência faz com que seja difícil proteger ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.

Tese 82: Por que o papa não tira todas as almas do purgatório movido por caridade, em troca do vil dinheiro, logo por motivo insignificante?

Tese 83: Por que continuam as missas em sufrágio das almas e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim, visto ser injusto?

Tese 84: Que piedade é esta que permite a um ímpio resgatar uma alma piedosa por amor ao dinheiro e não por livre amor e sem paga?

Tese 85: Por que os cânones de penitência tornam a ser resgatados mediante dinheiro de indulgência como se continuassem bem vivos, em vigor?

Tese 86: Por que o papa não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?

Tese 87: Que parte concede o papa do dinheiro de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?

Tese 88: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa concedesse a cada fiel dispensa e participação da indulgência a título gratuito.

Tese 89: Visto o papa visar mais a salvação das almas do q o dinheiro, por que revoga as indulgências às quais atribuía as mesmas virtudes?

Tese 90: Refutar argumentos dos leigos pela força e não mediante a lógica, significa entregar a Igreja a zombaria e desgraçar os cristãos.

Tese 91: Se a Indulgência fosse apregoada segundo o sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.

Tese 92: Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.

Tese 93: Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.

Tese 94: Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça, Cristo, através do padecimento, morte e inferno.

Tese 95: E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

OS ANJOS SÃO SERES RACIONAIS E MORAIS


‘‘A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar’’ (1 Pe 1.12).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres racionais e morais. Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11), inclusive os seres angelicais. Assim, como bem declarou Wayne Grudem, teólogo de Cambridge, “os anjos são prova de que o mundo invisível é real”.

Os aspectos da racionalidade e da moralidade fundamentam a vontade angelical, suas escolhas e decisões, seus propósitos e interesses, suas disposições e aspirações, seja para o bem, seja para o mal (abordarei esse último aspecto em outro estudo, adiante).

Os anjos são seres racionais porque a Bíblia atribui a eles intelectualidade. Ora, além da capacidade notória da fala, esses seres pessoais possuem sabedoria, razão pela qual Absalão e Davi lhes são comparados: “Dizia mais a tua serva: Seja, agora, a palavra do rei, meu senhor, para a minha tranqüilidade; porque, como um anjo de Deus, assim é o rei, meu senhor, para discernir entre o bem e o mal. O SENHOR, teu Deus, será contigo. 20 Para mudar o aspecto deste caso foi que o teu servo Joabe fez isto. Porém sábio é meu senhor, segundo a sabedoria de um anjo de Deus, para entender tudo o que se passa na terra”. (II Sm 14.17, 20; II Sm 19.27).

Além da sabedoria, os anjos também possuem conhecimento sobre-humano (Ef 3.10), enfim, altíssima compreensão e percepção das realidades espirituais e humanas, como fica notório nas revelações de Deus ao profeta Daniel (Dn 8.16; Dn 9.22; Dn 10.14), ainda que limitadamente (Mt 24.36; 1 Pe 1.12). Essa intelectualidade engloba todos os anjos. O diabo, por exemplo, arma ciladas sagazmente (Ef 6.11; 2 Tm 2.26; Gn 3.1). Portanto, não acreditamos que os seres angelicais sejam meros conceitos abstratos do bem ou mal.

A Bíblia prescreve que os seres angelicais possuem moralidade. Sim, os anjos são seres morais porque as Sagradas Escrituras atribuem a eles um padrão de conduta, ou seja, estão sob obrigação moral na qual foram recompensados pela obediência e punidos pela desobediência: “porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos”... “vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Mc 8.38; Jo 8.44). É o que estabelece a dicotomia santos anjos e pai da mentira/homicida, anjos eleitos e reprovados/caídos, espíritos ministradores e espíritos malignos, anjos bons e maus.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais e morais. 

Rev. Ângelo Vieira da Silva

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MULHERES QUE SURPREENDEM

‘É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo’’ (Lc 24.22).

As mulheres nos surpreendem positivamente. Seja nos relacionamentos ou no trabalho, na igreja ou nas tarefas domésticas, elas podem nos surpreender em qualquer lugar e tempo, causando boa surpresa e, assim, nos faz muito bem admirá-las e nos maravilharmos com suas atitudes de amor.

Ora, em um cenário onde os homens se encontravam atordoados pela morte de seu Mestre e pelas possíveis perseguições que sobreviriam sobre todos os discípulos, as mulheres, mais uma vez, surpreenderam. Como? Em meio ao temor de muitos, elas foram ao túmulo de Cristo pela madrugada e, não achando o corpo do Senhor, corajosamente anunciaram a visão que tiveram de anjos, os quais afirmaram que Jesus vivia. Aleluia!

Não é diferente hoje, em mais uma oportunidade de regozijo das santas mulheres de Deus, discípulas do Senhor. Comemoramos o aniversário de organização de nossa Sociedade Auxiliadora Feminina. São muitos anos se colocando nas brechas, procurando realizar a vontade do Senhor. Portanto, neste dia tão especial, compartilho com nossas irmãs esta breve pastoral, desejando que as surpreendentes mulheres presbiterianas continuem:

(1) SURPREENDENDO NO EVANGELISMO. Vivam missões, mulheres! Orem e contribuam com a Grande Comissão. Evangelizar é um ato de duas verdades: disposição e ação. Lembre-se daquelas mulheres citadas Lucas 24, bem dispostas, acordando de madrugada para cuidar de seu Senhor. É verdade que Paulo nos ensina que nem o que planta, nem o que rega é alguma coisa, pois é Deus quem dá o crescimento (1 Co 3.7); porém, é bem verdade que Ele nos chamou para essa tarefa, porque ai de nós se não pregarmos o evangelho (1 Co 9.16). Surpreenda!

(2) SURPREENDENDO NA MISERICÓRDIA. O dom da misericórdia é demonstrado através de uma consciência social, ou seja, você, mulher presbiteriana, será misericordiosa ao ajudar os carentes, orar pelos enfermos, visitar os órfãos e viúvas, auxiliá-los em suas necessidades. Lembre-se: devemos chorar com os que choram e nos alegrarmos com os que se alegram (Rm 12.15). Surpreenda!

(3) SURPREENDENDO NA SABEDORIA. As Sagradas Escrituras revelam que a mulher sábia edifica a sua casa (Pv 14.1). Cumpre-se tal verdade quando você, mulher presbiteriana, sempre apresenta sua família diante de Deus em oração. Nossa própria casa é como uma igreja que necessita ser cuidada todos os dias, regada pela vida devocional de cada um de seus membros. Lembre-se, portanto, do hino ‘‘Aspiração Feminina’’, “nós crentes redimidas, depomos nosso lar, e as nossas próprias vidas, perante o teu altar”, e “sê tu uma bênção!” (Gn 12.2). Surpreenda!

(4) SURPREENDENDO NA COMUNHÃO. Sejam companheiras, mulheres presbiterianas! Sejam auxiliadoras! Jamais permitam as terríveis “panelinhas”, grupos que promovem a divisão. Pelo contrário, na busca pela verdadeira união fraternal, diligenciem o bem-estar interpessoal, pois, na igreja, a comunhão é fundamental, uma santa obrigação de todos. Surpreenda!

Enfim, reconheço que as mulheres que assim procedem sempre nos surpreenderão positivamente. Agradeço a Deus pela vida das mulheres de nossa igreja, lembrando seu próprio moto: “sejamos verdadeiras auxiliadoras, irrepreensíveis na conduta, incansáveis na luta, firmes na fé, vitoriosas por Cristo Jesus”.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

OS ANJOS SÃO SERES ESPIRITUAIS E INCORPÓREOS


‘‘pois, nele [Jesus], foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades...’’ (Cl 1.16).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres espirituais e incorpóreos. Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11), inclusive os seres angelicais. Assim, como bem declarou Wayne Grudem, teólogo de Cambridge, “os anjos são prova de que o mundo invisível é real”.

Extraordinariamente, algumas passagens bíblicas apresentam alguns anjos assumindo uma forma física (Gn 18.2, 8; Gn 19.1, 3; Hb 13.2). Ao que parece, esses acontecimentos se deram para uma melhor compreensão da revelação divina e convencimento da realidade da presença angelical. Entretanto, ordinariamente, a maioria dos textos bíblicos apresenta que os anjos não possuem estrutura física como os homens, pois são incorpóreos, seres espirituais.

Tanto os anjos eleitos como os demônios são chamados de “espíritos”, palavra que designa o que é imaterial, ao contrário do que é corporal (Mt 8.16; At 19.12; Hb 1.14). Ao descrever a armadura de Deus, Paulo conclama os cristãos a resistirem firmes em uma luta além da materialidade (contra carne ou sangue), em uma batalha espiritual “contra as forças espirituais do mal nas regiões celestes” (Ef 6.12).

Anjos não têm carne ou ossos. Veja: quando Jesus ressuscitou, apareceu aos discípulos várias vezes. Ao vê-lo ressurreto, amedrontados, pensavam se tratar de um “espírito”. Para provar sua ressurreição física, o Senhor contrapõe expondo que um espírito não tem carne, nem ossos como eles poderiam ver (Lc 24.37, 39). Se os seres angelicais são espíritos, logo, não possuem carne ou ossos. Além disso, eles não podem ser vistos, a não ser que Deus permita. É por isso fazem parte da criação denominada de “invisíveis” (Cl 1.16). Daí a metáfora de “ventos” que é atribuída a eles (Sl 104.4; Hb 1.7). Ora, sabemos da existência do ar ainda que não possamos vê-lo.

Lembremos que anjos não se casam. Ao tratar da ressurreição com a seita dos saduceus que, inclusive, não acreditavam em anjos (At 23.8), Jesus declarou que os seres angelicais “nem casam, nem se dão em casamento”, isto é, aplico eu, os seres angelicais não podem se reproduzir, uma capacidade biológica dada a outros seres vivos, como à humanidade (Mt 22.30; Mc 12.25; Lc 20.35).

Interessante! Das três leis do físico inglês Isaac Newton se estabelece que “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço”. Entretanto, seres incorpóreos ou espirituais não estão limitados por regras como essa. Em termos da possessão demoníaca, por exemplo, muitos seres angelicais caídos ocupam o mesmo espaço, o mesmo corpo. Foi assim com o endemoninhado geraseno e a grande manada de porcos (Lc 8.30). Portanto, mesmo que os anjos sejam limitados e finitos por serem criaturas, possuem mais livre relação com o espaço e o tempo do que o homem, o que intensifica sua condição espiritual e incorpórea.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais e incorpóreos.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

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A BUSCA FUNDAMENTAL DO CRISTÃO


"Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no seu templo" (Sl 27.4)

Sempre vivemos um novo tempo e, com ele, novos sonhos, desejos, projetos, aspirações e realizações. Sim, em nossa mente e coração está o anseio de suprir aquelas necessidades mais fundamentais, nossas e daqueles que nos são próximos. Muitos querem sanar suas dívidas, obter um diploma, cursar uma nova faculdade, adquirir certos bens materiais há muito tempo namorados, ter mais sucesso no trabalho, receber um salário melhor, rever parentes separados pelo tempo e espaço, viajar, poupar, crescer, enfim, viver, etc..

Tudo isto pode ser muito bom, mas não representa a busca fundamental de cristãos comprometidos com Deus e com Sua Palavra. Cada desejo nosso (como os supracitados) precisa ser secundário, uma vez compreendido que Deus é o Senhor de nossa vida. É o ensinamento do Salmo: “uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo” (Sl 27.4).

Perceba: algo é pedido e buscado; é apenas uma coisa... o que é? O salmista expressa que a busca fundamental do povo de Deus, de cada cristão fiel, é a busca pelo Senhor, pela sua presença, pelo seu conselho. Eis a oportunidade de compreendermos que tudo o que mais almejamos nessa vida não deve ocupar o lugar de Deus, de Cristo, do Espírito. Como nosso Senhor ensinou, “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33).

Se Deus é aquele que supre cada uma de nossas necessidades (Fp 4.16-19), nos convêm buscá-lo e confiar em seu sustento providencial, pois declarou: “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel” (Is 41.10). A certeza é que “pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á” (Mt 7.7-8). Portanto, peça, busque e bata corretamente, busque o Senhor, à sua presença e o seu conselho.

Reflita: será que estamos buscando o que é fundamental ou trivial? Eterno ou passageiro? Do Céu ou da Terra? “Ao meu coração me ocorre: “buscai a minha presença; buscarei, pois, Senhor, a tua presença” (Sl 27.8). Também é a disposição encontrada no livro do profeta Jeremias: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13).

Buscar pelo Senhor, sua presença e seu conselho é um privilégio gracioso. As Sagradas Escrituras ensinam que bem-aventurado é aquele a quem o Senhor escolhe e se aproxima, para que assista em seus átrios; bem-aventurados os que habitam na Casa do Senhor, louvando ao Deus vivo perpetuamente. Afinal, um dia nos átrios do Senhor vale mais que mil; é preferível estar à porta da casa de Deus, a permanecer nas tendas da perversidade (Sl 65:4; Sl 84.4, 10).

Pense nisso e busque ao Senhor de todo o coração.
Rev. Ângelo Vieira da Silva



OS ANJOS SÃO SERES CRIADOS



‘O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra’’ (Sl 34.7)


Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres criados. Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11), inclusive os seres angelicais. Assim, como bem declarou Wayne Grudem, teólogo de Cambridge, “os anjos são prova de que o mundo invisível é real”.

Ora, os anjos não são deuses, semi-deuses, nem uma raça (não possuem capacidade reprodutiva). São criaturas distintas, seres mais elevados que o homem, razão pela qual também não devem ser interpretados como seres humanos glorificados. As Sagradas Escrituras prescrevem que o “exército do céu” e as “legiões celestes” foram criadas pelo Senhor Deus: “Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas legiões celestes. Louvem o nome do SENHOR, pois mandou ele, e foram criados” ... “pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele” (Sl 148.2, 5; Cl 1.16). Essas citações do Antigo e Novo Testamento são suficientes para afirmar que os seres angelicais, denominados aqui de ‘‘anjos, legiões celestes, coisas invisíveis, tronos, soberanias, prncipados, potestates’’, foram feitos pelo Criador.

Mas, quando isso aconteceu? Antes, durante ou depois da criação do universo ou do homem? Reflita sobre o “exército do céu”. Para muitos teólogos, esta expressão ora se refere às estrelas (Gn 2.1; Sl 33.6; Ne 9.6), ora se refere aos seres angelicais (I Re 22.19; Sl 103.20-21). Outros estudiosos delimitam ainda mais, afirmando que a criação dos anjos se deu juntamente com a criação dos céus (Gn 1.1) e antes da criação dos fundamentos da terra. Por isso, há controvérsias se tais passagens bíblicas poderiam esclarecer quando se deu a criação dos anjos.

É fato que as Sagradas Escrituras não apresentam uma informação precisa quanto ao momento que os seres angelicais foram criados. Entretanto, creio ser seguro afirmar que todos os anjos tenham sido criados simultaneamente antes da criação do homem. Além das citações bíblicas supramencionadas, é o que se deduz a partir de outros textos: “porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou” ...“Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento. 7 quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?” (Ex 20.11; Jó 38.4, 7). Ambos os textos nos direcionam na compreensão que a criação dos seres angelicais, aqui denominados ‘‘filhos de Deus’’, ocorreu antes do homem, em um tempo na qual o Senhor estabelecia os fundamentos da terra.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados.*

Rev. Ângelo Vieira da Silva

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AS PRINCIPAIS FALHAS ESPIRITUAIS

‘‘Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos’’ (2 Co 4.8-9)

Você já falhou em alguma área de sua vida? Provavelmente sim... A palavra “falha” é carregada de conceitos negativos; lembra-nos falta de acerto, erro, falta, etc. Na verdade, falhar é o mesmo que não suceder como se espera, gerando frustração. Foi uma falha que matou o piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna. Meses antes de Ayrton morrer, Michele Alboreto deu um depoimento a um programa de TV afirmando que nenhuma falha humana provocaria o acidente na Tamburello: "Eu tenho certeza - tive o mesmo acidente que o Ayrton teve, no mesmo lugar -, que, se acontecer algo nesta curva, acontece por causa de uma falha mecânica", declarou o italiano. Ainda que Alboreto não aceite a falha humana – nem mesmo os brasileiros aceitam, nem eu – lá estava uma falha que gerou morte, a falha mecânica na barra de direção. 

A realidade acima é aplicável ao nosso relacionamento com Deus. Afinal, falhas na vida espiritual podem produzir declínio na vida cristã e até mesmo morte. Charles Swindoll, renomado escritor protestante, afirma em seu livro ‘‘Perseverança’’ que existem concepções errôneas sobre a espiritualidade, o que podemos chamar de falhas espirituais. Como ele mesmo diz, estas concepções não são à prova d'água. Portanto, meu querido irmão (a), observe as seguintes falhas espirituais, medite e tome uma posição em sua vida cristã.
PRIMEIRA FALHA: achar que...
Por ser cristão, todos os seus problemas serão resolvidos.

A Bíblia nunca diz isso. Em alguns casos os problemas aumen­tam e a estrada fica mais difícil! A garantia que temos é de paz e companhia do Senhor.

SEGUNDA FALHA: achar que...
Todos os problemas que terá de enfrentar estão mencionados na Bíblia.

Não estão. Muitas ve­zes não encontramos uma resposta explícita na Escritura para o nosso problema específico. Precisamos de oração e orientação espiritual que pode ser dada pelo anjo da igreja ou por irmãos fiéis a Cristo.

TERCEIRA FALHA: achar que...
Se você está tendo problemas é porque lhe falta espiritualidade.

A existência de um problema simplesmente mostra que você é humano. Todos têm problemas e você não deixa de ser espiri­tual por lutar com um dilema. Pense em Jó e no seu sofrimento. Mesmo não entendendo, foi fiel a Deus.

QUARTA FALHA: achar que...
A exposição a ensinamentos bíblicos sólidos resolve automaticamente os problemas.

A instrução bíblica por si só não resulta em soluções instantâneas dos problemas. Pense nas Escrituras como um mapa absolutamente exato. O mapa lhe diz como chegar a um determinado destino. Mas o fato de apenas olhar um mapa não vai adiantar. O mesmo acontece na vida cristã. O mapa de Deus é confiável e está disponível. Ele também é claro e direto. Não há, porém, nenhum artifício em suas páginas que envie automaticamente o leitor ao seu destino por meio de um tapete mágico.

Pense nisto.
Rev. Ângelo Vieira da Silva

ANCIÃOS E PRESBÍTEROS: OS PASTORES DO REBANHO DE DEUS


“Fiel é a Palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (1 Tm 3.1). Sim, a aspiração da qual o apóstolo Paulo se refere aponta para aqueles que são chamados para liderar a Igreja de Deus. Seja qual for o nome (episcopado, bispo, mestre, ministro, presbítero, ancião, anjo da Igreja, embaixador, evangelista, pregador, doutor, despenseiro dos mistérios de Deus, dentre outros), as Sagradas Escrituras descrevem as qualificações e funções daqueles que são os verdadeiros pastores do rebanho de Deus. Tais títulos não descrevem graus diferentes de dignidade, mas as funções honrosas dos que são chamados para cuidar, ensinar, administrar, supervisionar e amar a Igreja de Jesus.

O jovem pastor Timóteo foi instruído por Paulo sobre as qualificações indispensáveis para aqueles que almejavam o ‘‘episcopado’’, o mesmo que ‘‘ser bispos’’ (1 Tm 3.2; Tt 1.7; 1 Pe 2.25) ou ‘‘presbíteros’’ ─ esse último percebido na maioria dos textos que tratam do assunto no Novo Testamento (At 11.30; At 14.23; At 15.2, 4, 6, 22-23; At 16.4; At 20.17; At 21.18; 1 Tm 5.17, 19; Tt 1.5; Tg 5.14; 1 Pe 5.1; 2 Jo 1.1; 3 Jo 1.1). Ora, tal ofício é uma excelente obra que todos os homens da Igreja deveriam ansiar. Assim, hoje nos apresentamos diante de Deus para uma nova eleição de oficiais, em oração e jejum, conscientes de nossa responsabilidade frente ao ensino bíblico. 

O texto hebraico e grego, o Antigo e o Novo Testamentos, esclarecem as atribuições dos pastores do rebanho de Deus. Ora, o neo-testamentário ‘‘presbítero’’ (presbyterós, gr.) é o vétero-testamentário ‘‘ancião’’ (zaqen, heb.). Ambas as palavras designam um ofício de liderança. Não que todo líder tenha que ser idoso, pois os termos também são usados para os líderes sem referência à sua idade, mas que é necessário que sejam experientes e experimentados, exemplos para todos. Por isso, abaixo faço um breve panorama do pastoreio do rebanho de Deus sob a perspectiva do ancião.

(1) O ANCIÃO NO ANTIGO TESTAMENTO. A liderança através de um concílio de homens chamados “anciãos” era muito familiar aos judeus, afinal, era uma das instituições mais antigas e fundamentais de Israel, remontando ao cativeiro egípcio (Ex 3.16, 18). Os anciãos eram os representantes oficiais do povo, chamados de “anciãos de Israel”, “anciãos dos filhos de Israel” ou “anciãos do povo”. Sendo mencionados centenas de vezes no Antigo Testamento, tinham o papel fundamental de liderar, o que fica evidente em sua participação ativa em cada evento decisivo da história de Israel. Deus reconheceu o papel de liderança dos anciãos enviando Moisés primeiramente a eles para anunciar a libertação do cativeiro (Ex 3.16,18; Ex 4.29; Ex 12.21; Ex 17.5-6; Ex 18.12; Ex 19.7; Ex 24.1, 9, 14; dentre outros).

(2) O ANCIÃO NO NOVO TESTAMENTO. No Novo Testamento os anciãos são chamados de presbíteros. À luz do livro de Atos dos Apóstolos e das cartas, vemos que os presbíteros são os representantes oficiais da Igreja com autoridade semelhante ao dos apóstolos. Eles recebem e administram recursos materiais (At 11.29-30), julgam questões doutrinárias (At 15.1-29), oferecem conselho e resolvem conflitos (At 21.18-25). Lendo-se as muitas passagens bíblicas que envolvem os presbíteros fica evidente que os mesmos foram colocados à frente da Igreja pelo próprio Deus, com a tarefa de supervisionar o povo e, assim, cumprir o mandamento de ‘‘pastorear o rebanho de Deus’’ (1 Pe 5.1-4).

Portanto, amados irmãos, os presbíteros são os verdadeiros pastores da Igreja. Devemos orar por eles antes, durante e depois das eleições. Apesar de ser uma obra excelente, é repleta de sofrimentos que podem ser resumidos nas palavras de Jesus: ‘‘o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça’’ (Mc 8.20). Por isso, ore, vote e creia: ‘‘Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência’’ (Jr 3.15).

Rev. Ângelo Vieira da Silva

SER PRESBÍTERO É...


No dia 05/08 comemora-se o Dia do Presbítero. Na Igreja Presbiteriana do Brasil, o presbítero é o oficial, o representante imediato do povo (presbítero regente), por este eleito e ordenado pelo Conselho, para, juntamente com o pastor (presbítero docente), exercer o governo e a disciplina e zelar pelos interesses da Igreja a que pertencer, bem como pelos interesses da Igreja a que pertencer, bem como pelos de toda a comunidade, quando para isso eleito ou designado. Assim, em homenagem àqueles que são verdadeiramente presbíteros, passo a discorrer em versos um pouco deste ministério tão complexo dado pelo Supremo Pastor.

Ser Presbítero é privilégio... É chamado exclusivo; é dom concedido.
Ser Presbítero é sacrilégio... É serviço consagrado, às vezes, aviltado.

Ser Presbítero é pastorear... Orar, acompanhar e cuidar.
Ser Presbítero é vigiar... Zelar, aconselhar, não o fiscalizar.

Ser Presbítero é ver-se o menor... É o que convêm, o que de pé o mantêm.
Ser Presbítero é falar do Maior... d’Aquele que excede, O que não se mede.

Ser Presbítero é liderar... Responsabilidade e exemplo.
Ser Presbítero é colaborar... Agilidade e contento.

Ser Presbítero é atacar... O lobo voraz, a falácia mordaz.
Ser Presbítero é amar... O sublime Deus, o próximo como a mim.

Ser Presbítero é difícil... É o pecador que deve tratar o pecado.
Ser Presbítero é vitalício... É estar pronto, procurar estar capacitado.

Ser Presbítero é aspirar... Aquela excelente obra na vida.
Ser Presbítero é expirar... É proferir as virtudes da Vida.

Ser Presbítero é tomar parte... na Ceia Santa, na ordenação Sagrada.
Ser Presbítero é estar à parte... do mundo maligno, do pecado redivivo.

Ser Presbítero é ser humano... Pode errar, pecar, se enganar.
Ser Presbítero é ter percepção... Da ilusão, armadilha ou desatenção.

Ser Presbítero é emoção. Ser Presbítero é ser o ancião.
Ser Presbítero é vocação. Sê Presbítero de coração!

Amém.

Sou grato a Deus pelos presbíteros de nossa amada Igreja. Ao Conselho atual, aos eméritos, àqueles em disponibilidade e aos que residem em outros lugares, minhas sinceras felicitações e orações por ministérios profícuos na presença do Altíssimo. ‘‘Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles... pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória’’ (1 Pe 5.1-4). “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel” (1 Co 4.2).

Rev. Ângelo Vieira da Silva

O TERCEIRO TEMPLO EM JERUSALÉM



Recentemente fui abordado por alguns irmãos sobre a suposta profecia da construção do terceiro Templo em Jerusalém e o advento do Anticristo. Ao que parece, o assunto está em voga devido a artigos compartilhados em redes sociais (até anacrônicos) e um presumido sinal divino da novilha que nasceu vermelha (Nm 19), pois alguns judeus declararam: “sem o nascimento de uma novilha vermelha, de nada adiantaria reerguer o templo que já foi construído e destruído duas vezes”. Nesse ínterim, os preparativos envolvem o treinamento de novos sacerdotes (levitas), a elaboração das medidas do templo e a manufatura dos objetos que serão ali utilizados, dentre outros.

Esse tipo de interpretação da Bíblia é muito difundido pelos movimentos pentecostais, neopentecostais, seitas, Chamada da Meia-Noite, Seminário de Dallas (etc.) e avança nas igrejas protestantes históricas. É chamado de dispensacionalismo e, sem dúvida, consiste do mais complexo, literal e exagerado método de se interpretar as profecias bíblicas. Eu não creio dessa forma. Aliás, o sistema dispensacionalista não deveria ser aceito por qualquer cristão comprometido com as Escrituras por muitas razões que não cabem nessa breve pastoral.

O primeiro Templo foi edificado por Salomão e durou quase quatrocentos anos, pois fora destruído pela Babilônia em 586 a.C. No mesmo local do primeiro, Artaxexes permitiu que o segundo Templo fosse construído após o exílio. Remodelado por Herodes e durando quase seiscentos anos, foi destruído pelos romanos em 70 d.C. Já o terceiro Templo seria maior que os dois primeiros e sua construção no chamado monte do Templo marcaria a proximidade do arrebatamento secreto da Igreja e o reinado mundial do Anticristo. Pois bem, eu não acredito em uma doutrina que determina a construção do terceiro Templo como condição sine qua non para o fim dos tempos. Por quê? Resumidamente: 

1. Porque não há nenhuma passagem bíblica que profetize a construção do terceiro Templo. Entenda que os textos de Daniel e Mateus não respaldam a construção do terceiro Templo em Jerusalém. O “cessar o sacrifício e a oferta de manjares” citado por Daniel (Dn 9.27) não descreve a construção do terceiro templo, mas o término dos sacrifícios e profanação do templo feitas por Antíoco Epifânio (168 a.C.). O “abominável da desolação” confirmado por Jesus em Mateus (Mt 24.15) não remete à construção do terceiro Templo, mas apenas ao aparecimento do Anticristo com a mesma – e até mais terrível – perseguição nos moldes de Antíoco, sob a bandeira de Roma.

2. Porque a construção do terceiro Templo e, consequentemente, a restauração do modelo mosaico de sacrifício é uma afronta ao sacrifício de Cristo. Muitos judeus ainda esperam o Messias e, logo, restaurar o templo e o culto mosaico não seria um problema teológico em si. O cristão, por outro lado, compreende que o Messias já veio: Jesus. Ele cumpriu a lei, rasgou o véu pelo seu único e suficiente sacrifício (Mt 27.51; Hb 8.6). Retomar o antigo sacerdócio é o mesmo que invalidar o sacerdócio de Cristo. O Cordeiro de Deus foi morto, ressurgiu e tira o pecado do mundo (Jo 1.29).

3. Porque é uma afronta ao verdadeiro terceiro templo criado por Deus, nos homens redimidos, santuários do Espírito Santo de Deus. O povo de Deus, a Igreja, os homens redimidos se constituem o verdadeiro terceiro Templo dedicado a Deus (1 Co 3.16-17; 1 Co 6.19, 16; Ef 2.21-22).

Não obstante, afora tudo isso, os judeus ainda têm a dificuldade do lugar para a tal construção. Afinal, o Domo da Rocha, uma edificação islâmica no monte do Templo, precisaria ser retirado (é ali que, supostamente, está a pedra angular do antigo templo judaico). Se o Messias tornará isso possível ou não (bem como as outras opiniões existentes), é algo que o judaísmo pretenderá resolver. Os cristãos não devem nem precisam se preocupar com a construção do terceiro Templo ou até da réplica do Edir. De fato, espero que os cristãos estudem a Escritura com seriedade para compreenderem o sentido e cumprimento das profecias bíblicas durante a história num todo.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

A BÍBLIA, O CELULAR E O CULTO A DEUS



“O sábio de coração é chamado prudente’’ (Pv 16.21a)


A tecnologia é indispensável no mundo globalizado, definitivamente. O computador, a TV, o celular, o notebook, a internet, o Smartphone, o Tablet, etc., são novidades em constante evolução. Como um cumprimento profético (Dn 12.4), o saber tem-se multiplicado e avançado na mesma velocidade dos yotabytes. As estatísticas continuam subindo e as vendas se intensificam. Entrementes, as tecnologias de “última geração” de hoje, podem ser aparelhos “ultrapassados” logo pela manhã.

De todas as tecnologias, o celular é um modelo de avanços extraordinárias. Com mais de sete bilhões de dispositivos em todo o mundo, é possível encontrar mais celulares do que habitantes em muitas localidades. É incrível, e excêntrico, reconhecer que “realizar uma chamada de voz” não seja, necessariamente, a principal função dos celulares modernos, repletos de recursos, aplicativos, funções, jogos, etc.

O que é extremamente útil, por outro lado, pode ser um obstáculo no culto a Deus. Qualquer Pastor ou dirigente de culto poderá atestar essa opinião no simples gesto da observação. A cada dia aumenta o número de cristãos que levam a Bíblia para a Igreja em seus celulares/Smartphones. É quase inevitável perceber o uso dos aparelhos durante o culto a Deus. Por isso, é necessário reconhecer que o celular pode “obstacularizar” a adoração quando:

(1) Se torna um instrumento de Ansiedade. Com ele, é bem possível ficar inquieto, desassossegado. Esperando por novidades na caixa de entrada ou nas redes sociais (dentre outros), trava-se e destrava-se aflitivamente o celular com uma freqüência absurda. Basta observar.

(2) Se torna um instrumento de Tentação. Com tantos recursos ao alcance da mão/toque e, muitas vezes, num culto “sem expressão”, o aparelho pode ser uma tentação soberba. Com seus milhões de cores e programas dinamizados, o celular poderá representar uma tentação quase insuperável diante de um culto monocromático e engessado. É a pura verdade.

(3) Se torna um instrumento de Pecado. É possível pecar utilizando um celular? É claro! Com tantos recursos e diante das possibilidades listadas acima, ansiedade e tentação, o resultado poderá ser uma atitude (s) que transgrida a lei de Deus. O mundo cabe na palma da mão; o pecado também. Nesse caso, “guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus” (Ec 5.1).

Creio que a luta da Igreja não é contra carne ou sangue, contra Tablet ou celular. Entretanto, diante da possibilidade do mau uso desses aparelhos, nortear os cristãos sobre como proceder no culto a Deus é um dever dos líderes espirituais. Assim, longe de uma lista esgotada de orientações, creio que quatro posturas essenciais contribuiriam muito para uma melhor relação entre o cristão, a bíblia, o celular e o culto. São elas:

(1) Mantenha o celular no modo silencioso. Afinal, o sábio de coração é chamado prudente (Pv 16.21). Se possível, desligue até o modo de vibração a fim de evitar a distração.

(2) Desligue quaisquer avisos sonoros/vibração de redes sociais e SMS. Parece redundante, mas não é. É possível configurar o que o usuário quer e o que não quer ser alertado. Os avisos de mensagem, recados, tuítes, SMS/torpedos, comentários, etc., são os preferidos.

(3) Use o celular para ler a bíblia. Sejamos honestos, a maioria das pessoas que possuem a Bíblia no celular, e não usam o texto impresso sobre essa desculpa, não lêem a Palavra no culto. Nesse sentido, a Bíblia no celular é mera desculpa para o desinteresse ou para a vergonha do evangelho, isto é, vexame de se carregar uma Bíblia impressa na mão. Deste modo, durante o culto, muitos incorrem na falta de reverência e usam o celular para torpedos, redes sociais, joguinhos, internet, notícias sobre o resultado do jogo, etc, e nunca para lerem a Bíblia.

(4) Em caso da impossibilidade de se ler a Bíblia no celular e desejo de não sucumbir as tentações de distração e ansiedade que ele proporciona, use uma Bíblia impressa. Você será mais edificado.

A favor do uso da tecnologia para a glória de Deus (1 Co 10.31) e certo que o coração do sábio procura e deve adquirir o conhecimento (Pv 18.15), compartilho esta reflexão com os amados irmãos.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

FESTA JUNINA: POSSO PARTICIPAR?


Meditemos: pode o cristão protestante participar das comemorações alusivas à festa junina? Bem, creio que uma pessoa cristã protestante não deve participar das chamadas festas juninas ou “festa dos santos populares”. Este último nome exprime tudo. A partir do ensino das Escrituras Sagradas os cristãos protestantes não celebram, homenageiam, louvam, cultuam, exaltam ou adoram seus conservos (Cl 4.7), mas unicamente a Deus. Nem mesmo anjos merecem esse tipo de veneração (Ap 19.10; Ap 22.9). Essa comemoração é cristã romana e não se enquadra nos princípios de fé da maioria do protestantismo. É celebrada por católicos romanos e não por presbiterianos, por exemplo. É cultura? Sim, porém, romanizada. A mistura, o sincretismo religioso, é perigoso e danoso.

Comemorada em muitas partes do mundo, tal festa aparentemente pagã foi cristianizada na Idade Média aplicada a São João, por isso, “Festa de São João” (festejado em 24/06). O conceito cristão romano incorporou ainda “São Pedro”, “São Paulo” (ambos celebrados em 29/06, festa litúrgica também chamada “Solenidade dos Santos Pedro e Paulo”) e “Santo Antônio” (comemorado em 13/06).

A veneração de santos é parte fundamental da teologia católica romana. Protestantes não veneram ou preiteiam santos. Fogem da idolatria disfarçada de homenagem. Seguem os mandamentos de Deus em Ex 20.3-5: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem”. Portanto, a festa junina remete a teologia romana dos santos. Protestantes enaltecem Cristo como o único mediador entre Deus e os homens (I Tm 2.5). Como ensinou o Mestre em Lc 4.8, “está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto”.

O próprio homenageado nas festas juninas, o conservo Paulo, ao abordar a mistura entre os cristãos de Corinto e as festas pagãs celebradas a outros ídolos, ensinou: “Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (I Co 10.19-22). 

Pense. O secularismo tem sido o responsável pela minimização da não-participação de evangélicos nesse “lazer” e/ou pelos chamados “arraiais gospel”. Se é lazer, é desdourado pela teologia romana. Se é “estratégia” não é coerente com o ensino bíblico. No ambiente familiar, por exemplo, os pais devem orientar os filhos sobre o significado desta Festa. Como Protestantes, devem ensinar e não permitir a participação ou participarem desta festa cultural romana. É verdade que as festas juninas pós-modernas não enfatizam tanto a veneração aos santos como antes, todavia, não é mentira que a festa é destinada a venerá-los. Cristãos protestantes devem fugir destes festejos. 

E uma festa caipira? Bom, realizar esta festa nesse tempo criará uma associação com a festa romana. Protestantes precisam ser associados aos valores bíblicos eternos e não a festas romanas universais. O ideal é que a festa caipira, como uma festa temática, aconteça em outros meses do ano. Essa é uma posição moderada, prudente. 

Fogueiras, pipoca, pé-de-moleque, danças, bolos de fubá, quebra-queixo, canções, canjicão e outros símbolos foram incorporados a festa romana, mas, em si, não deveriam ser vedados. São resultado da obra criativa de Deus em nós. Devem ser recebidos com ações de graças (I Tm 4.3-4). O único cuidado necessário é recebê-los fora do ambiente das festas juninas. É um princípio de fé, a partir da regra de fé, com temor e tremor.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

O CRISTÃO E AS FESTAS RURAIS


São muito comuns em nosso país as chamadas "Festas Rurais". Com a realização de rodeio profissional todos os dias, shows e grande cavalgada, sempre se espera um grande ajuntamento de pessoas no Parque de Exposições, por exemplo. No interior, é natural que um pastor seja procurado por muitos cristãos desejosos por uma uma opinião, uma palavra, uma posição, que os ajudem a entender se devem ou não participar de uma festa rural. O motivo, via de regra, envolve práticas religiosas, consumo de bebidas alcoólicas e músicas seculares.

Antes de qualquer coisa, creio que esta reflexão valha para esclarecer como se dá o envolvimento do cristão no mundo à qual está inserido. Por "cristão", refiro-me àqueles homens e mulheres que recebem as Escrituras Sagradas como Palavra de Deus, como norma de fé e prática. Por "festas rurais" exponho aqueles ajuntamentos sociais onde é possível assistir rodeios, cavalgadas, exposição de animais, bebidas e comidas em fartura, parque de diversões, shows, boates, etc.

O cristão que medita, porque crer também é pensar, não é alienado. Diante de uma festa como esta, ele facilmente reconhece aspectos positivos e negativos. Sim, é possível.

Para uma cidade de interior, uma festa sempre é oportunidade para ganhos econômicos e contentamento da população. Obviamente, os comerciantes venderão mais nos dias da festa. O povo, sofrido e aguerrido, vê nesse momento uma oportunidade de descanso "d'alma", de aliviar sua dor, de cantar, de curtir, de "afogar as mágoas", enfim. Para estes, isto é muito bom, é positivo.

Por outro lado, a festa chega ao fim e, com ele, permanecerão os dias de um comércio em baixa, amornecido. Restará a ressaca, a indisposição e o cansaço, pois os problemas não sumiram com o apagar das luzes. Muitos beberam e gastaram mais do que deviam. Talvez brigaram com outrem. Por sorte, não sobrecarregarão o hospital e a polícia com situações que poderiam ter sido evitadas. Eis o lado negativo de uma festa.

Dito isto, fica a grande pergunta: "e o cristão? Pode participar?". Acho que a pergunta certa seria: o que a Bíblia ensina sobre o comportamento do cristão no mundo? Permitam-me sistematizar parte de seu precioso ensino em duas declarações que, mesmo que aparentem, não são excludentes. São os dois lados de uma mesma moeda. 

1) O CRISTÃO NÃO FAZ PARTE DESTE MUNDO.

É bem possível que já tenha lido que a Igreja não pertence a este mundo (Jo 15.18-19), que o sistema jaz no maligno (1 Jo 5.19) e que não devemos amar as coisas que há no mundo (1 Jo 2.15). "Por isso não se deve participar de festas rurais", afirmam alguns. O textos são de Deus, são bons. Contudo, é triste observar que muitos cristãos são manipulados por suas lideranças com simples proibições pautadas em falta de exegese, hermenêutica e bom senso. Se o cristão não pode participar de eventos comunitários (que, não por nossa escolha, envolvem questões religiosas, bebidas alcoólicas e músicas seculares) a partir desses textos, como ficam os casamentos, as formaturas, os passeios turísticos, os aniversários e muitos outros eventos sociais que contemplam a mesma realidade? Nos ausentaremos desses também? Entenda: a Igreja não faz parte deste mundo, isto é, sua esperança está no mundo porvir. O mundo é a humanidade transviada dos padrões divinos, conduzido e cegado pela antiga serpente. A Igreja deseja andar pelo Caminho aplanado da graça, pastoreada e esclarecida pelo Senhor Jesus. O cristão amadurecido fala de Deus no meio de outros deuses (At 17.23), sabe comer, beber e ouvir músicas para a glória de Deus (1 Co 10.31).

2) O CRISTÃO FAZ PARTE DESTE MUNDO.

Jesus não orou para que a Igreja fosse tirada desse mundo (Jo 17.15), afinal ela é sua luz (Mt 5.14); sua missão é no mundo (Mc 16.15). Muitos cristãos enfatizam apenas a primeira declaração, se esquecendo da segunda. São taxados de "santinhos", porque proíbem certos "pecados" e cometem outros grosseiros no dia-a-dia. A verdadeira santidade consiste em se manter puro no meio da iniquidade. A verdadeira Igreja está perto das pessoas que ainda não são Igreja. Quanto mais a Igreja se isolar do mundo, das pessoas, mais distante ficará o cumprimento de sua missão. Jesus se aproximava dos "doentes", dos pecadores, dos publicanos, das meretrizes... O Mestre se aproximava das pessoas, do mundo, sem se contaminar, sem se tornar parte de seu estado alienado e de inimizade com Deus. A Igreja precisa estar apta a realizar sua missão em qualquer lugar do mundo; necessita de firmeza para ser luz em qualquer lugar do mundo. Reitero: o cristão amadurecido fala de Deus no meio de outros deuses (At 17.23), sabe comer, beber e ouvir músicas para a glória de Deus (1 Co 10.31).

Portanto, creio que um cristão comprometido com a Palavra de Deus pode estar em qualquer lugar, com qualquer pessoa, em qualquer circunstância, e ainda assim se guardar incontaminado. Essa é a religião pura e sem mácula (Tg 1.27). Creio que um cristão maduro em sua fé possa assistir um rodeio, beber, comer e festejar, com ou sem sua família, sem pecar. Agora, se há fraqueza espiritual, problemas com testemunho, medo das ciladas do inimigo, paixão por esse mundo, desejo de pecar, é melhor que não participe; é bem melhor que não envergonhe o Evangelho de Jesus. É melhor fugir destas coisas.

Caro (a) leitor (a), não vá ou não a uma festa por outros. Vá ciente de que "todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas... todas são lícitas, mas nem todas edificam (1 Co 6.12; 1 Co 10.23). A decisão é sua, mas sempre precisa ser para a glória de Deus.

Rev. Ângelo Vieira da Silva