A IGREJA E A COMPRA DE VOTOS

A palavra corrupção (e derivados) revela-se mais de trinta vezes na Bíblia. Ela traz consigo o conceito vetero-testamentário de depravação e apodrecimento aplicados às várias esferas da vida, como impureza sexual e religiosa. No Novo Testamento a corrupção (gr. phthora) também é aplicada num sentido ético descrevendo decadência moral. Leia Deuteronômio 9.12. Eis um exemplo de decadência moral: “E o Senhor me disse: Levanta-te, desce depressa daqui, porque o teu povo, que tiraste do Egito, já se corrompeu; cedo se desviou do caminho que lhe ordenei; imagem fundida para si fez”. Não se deixe corromper!


A verdade absoluta é que a política está maculada pelos constantes alardes de corrupção que se ouvem dos quatro cantos do país. Nós, como Igreja, precisamos tomar muito cuidado para não nos corrompermos neste período político. Não podemos permitir que algumas práticas pecaminosas sejam aceitas. Uma delas, certamente, é a compra de votos. Você sabe o que quer dizer isto?


A compra de votos é o ato do candidato que propõe ao eleitor um bem ou vantagem em troca do voto. De acordo com a Lei, é proibido a qualquer candidato, "doar, oferecer, prometer ou entregar ao eleitor, com a finalidade de obter-lhe o voto, bens ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública".


Se nossa lei secular já prescreve crime na compra de votos, imagine a Palavra de Deus. Sim, é verdade que a Bíblia não fala de compra de votos, mas fala de princípios que devem ser observados. Lembre-se de textos como 1ª Coríntios 15.33, Efésios 5.6 e Jó 20.18b. A barganha sutil e vã da compra de votos não é agradável aos olhos de Deus. Portanto, cuidado! Faça-se a seguinte pergunta: como os candidatos geralmente compram os votos? “Puramente”, dentre as práticas mais comuns, podemos citar:

Compra de votos diretamente com dinheiro
Promessa de emprego
Distribuição de lotes e materiais de construção como cimento e tijolos
Doação de cestas básicas
Consultas médicas, exames de laboratórios gratuitos
Atendimento hospitalar e doação de remédios necessários
Distribuição de dentaduras, óculos, muletas
Ligaduras, cirurgias
Auxílio para obtenção de documentos
Tíquetes de leite
Uniformes e materiais para jogos e times
Cadeiras de rodas
Passagens e transportes, viagens e passeios
Financiamento de som para festas
Caixões de defunto, transporte para enterros
Remoções grátis em ambulâncias


Atenção! Qualquer um dos exemplos citados constitui-se em uma tentativa de compra de voto. Por isso, deve ser denunciado, mesmo que o candidato alegue que não teve a intenção de comprar o seu voto. Em ano eleitoral, a intenção é muito clara, ou seja, obter o voto. Contudo, caro (a) irmão (a), não confunda ajuda com compra de votos. Se alguém desejar comprar seu voto, você saberá... Não se corrompa! Valorize seu direito adquirido de votar! Nossa Pátria é democrática. Graças a Deus!

Rev. Ângelo Vieira da Silva

REFLEXÕES NO DIÁRIO DE SIMONTON

É interessante notar o fato de que no século XIX a prática de se fazer diários, com anotações de acontecimentos do dia-a-dia, estava muito difundida no hemisfério norte. Estes documentos são de grande valia para uma reconstrução histórica. Só que os mesmos são textos intensamente pessoais, e não formam escritos para serem publicados, sendo, assim, marcados com uma franqueza que não se vê em outros escritos.

Em se tratando do diário (duas edições na língua portuguesa) escrito por Simonton (primeiro missionário presbiteriano no Brasil), percebemos que o mesmo foi escrito com uma linguagem elevada e respeitosa, o que não é muito comum neste tipo de obra. Ele cobre um período de quatorze anos da vida do autor, que começou a escrevê-lo quando tinha dezenove anos de idade, até praticamente o penúltimo ano de sua vida. Como descreve o Dr. Alderi (historiador da IPB), Simonton “registrou observações perspicazes sobre uma variedade de assuntos, desde suas próprias lutas interiores nas áreas vocacional e sentimental, até suas reflexões sobre temas candentes da época, como a escravidão, os problemas políticos e as tensões entre o norte e o sul do país”. Sei que muitos ainda não tiveram o privilégio de ler este diário, mas gostaria de compartilhar algumas observações pessoais:

1. Simonton encerra o diário fazendo um retrospecto de sua vida com um resultado: sua condenação. Ele entendeu que realizou seu trabalho da melhor maneira possível, mas pergunta: “Mas, será que progredi na direção do céu”? Talvez esta seja a grande questão que precisamos fazer como igreja, diante da obra para qual fomos chamados. Estamos preocupados com o que Deus tem achado de nosso labor? Ou fazemos para os homens? 

2. Simonton se compara ao publicano e clama: “Deus, tem misericórdia de mim, pecador”. Certamente esta precisa ser a nossa oração. Assim como Simonton dependeu de Deus também o precisamos. Sem O Senhor nada podemos fazer.

3. Simonton fala de algo muito comum em nossos dias: o ativismo. Mostra seus perigos: “A própria pressão e atividade da vida exterior têm empanado minha comunhão com aquele para quem esses mesmos serviços são feitos. Quantas vezes minhas devoções são formais e apressadas ou perturbadas por pensamentos de planos para o dia!” O que tem tomado conta de nossas vidas: o ativismo ou a devoção? O que será que ocupará nossos ministérios na igreja?

4. Simonton mostra que pecados o atormentam: “Pecados muitas vezes confessados e lamentados tem mantido seu poder sobre mim”. Será que não vivemos algo semelhante? Busquemos a força em Deus assim como Simonton.

5. Simonton tem um pedido genuíno: “Quem me dera um batismo de fogo que consumisse minhas escórias, quem me dera um coração totalmente de Cristo”. Desejemos ardentemente sermos revestidos com o poder do alto para a realização desta grande obra assim como Simonton.

Rev. Ângelo Vieira da Silva