OS ANJOS SÃO SERES RACIONAIS E MORAIS


‘‘A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar’’ (1 Pe 1.12).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres racionais e morais. Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11), inclusive os seres angelicais. Assim, como bem declarou Wayne Grudem, teólogo de Cambridge, “os anjos são prova de que o mundo invisível é real”.

Os aspectos da racionalidade e da moralidade fundamentam a vontade angelical, suas escolhas e decisões, seus propósitos e interesses, suas disposições e aspirações, seja para o bem, seja para o mal (abordarei esse último aspecto em outro estudo, adiante).

Os anjos são seres racionais porque a Bíblia atribui a eles intelectualidade. Ora, além da capacidade notória da fala, esses seres pessoais possuem sabedoria, razão pela qual Absalão e Davi lhes são comparados: “Dizia mais a tua serva: Seja, agora, a palavra do rei, meu senhor, para a minha tranqüilidade; porque, como um anjo de Deus, assim é o rei, meu senhor, para discernir entre o bem e o mal. O SENHOR, teu Deus, será contigo. 20 Para mudar o aspecto deste caso foi que o teu servo Joabe fez isto. Porém sábio é meu senhor, segundo a sabedoria de um anjo de Deus, para entender tudo o que se passa na terra”. (II Sm 14.17, 20; II Sm 19.27).

Além da sabedoria, os anjos também possuem conhecimento sobre-humano (Ef 3.10), enfim, altíssima compreensão e percepção das realidades espirituais e humanas, como fica notório nas revelações de Deus ao profeta Daniel (Dn 8.16; Dn 9.22; Dn 10.14), ainda que limitadamente (Mt 24.36; 1 Pe 1.12). Essa intelectualidade engloba todos os anjos. O diabo, por exemplo, arma ciladas sagazmente (Ef 6.11; 2 Tm 2.26; Gn 3.1). Portanto, não acreditamos que os seres angelicais sejam meros conceitos abstratos do bem ou mal.

A Bíblia prescreve que os seres angelicais possuem moralidade. Sim, os anjos são seres morais porque as Sagradas Escrituras atribuem a eles um padrão de conduta, ou seja, estão sob obrigação moral na qual foram recompensados pela obediência e punidos pela desobediência: “porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos”... “vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Mc 8.38; Jo 8.44). É o que estabelece a dicotomia santos anjos e pai da mentira/homicida, anjos eleitos e reprovados/caídos, espíritos ministradores e espíritos malignos, anjos bons e maus.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais, incorpóreos, racionais e morais. 

Rev. Ângelo Vieira da Silva

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MULHERES QUE SURPREENDEM

‘É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo’’ (Lc 24.22).

As mulheres nos surpreendem positivamente. Seja nos relacionamentos ou no trabalho, na igreja ou nas tarefas domésticas, elas podem nos surpreender em qualquer lugar e tempo, causando boa surpresa e, assim, nos faz muito bem admirá-las e nos maravilharmos com suas atitudes de amor.

Ora, em um cenário onde os homens se encontravam atordoados pela morte de seu Mestre e pelas possíveis perseguições que sobreviriam sobre todos os discípulos, as mulheres, mais uma vez, surpreenderam. Como? Em meio ao temor de muitos, elas foram ao túmulo de Cristo pela madrugada e, não achando o corpo do Senhor, corajosamente anunciaram a visão que tiveram de anjos, os quais afirmaram que Jesus vivia. Aleluia!

Não é diferente hoje, em mais uma oportunidade de regozijo das santas mulheres de Deus, discípulas do Senhor. Comemoramos o aniversário de organização de nossa Sociedade Auxiliadora Feminina. São muitos anos se colocando nas brechas, procurando realizar a vontade do Senhor. Portanto, neste dia tão especial, compartilho com nossas irmãs esta breve pastoral, desejando que as surpreendentes mulheres presbiterianas continuem:

(1) SURPREENDENDO NO EVANGELISMO. Vivam missões, mulheres! Orem e contribuam com a Grande Comissão. Evangelizar é um ato de duas verdades: disposição e ação. Lembre-se daquelas mulheres citadas Lucas 24, bem dispostas, acordando de madrugada para cuidar de seu Senhor. É verdade que Paulo nos ensina que nem o que planta, nem o que rega é alguma coisa, pois é Deus quem dá o crescimento (1 Co 3.7); porém, é bem verdade que Ele nos chamou para essa tarefa, porque ai de nós se não pregarmos o evangelho (1 Co 9.16). Surpreenda!

(2) SURPREENDENDO NA MISERICÓRDIA. O dom da misericórdia é demonstrado através de uma consciência social, ou seja, você, mulher presbiteriana, será misericordiosa ao ajudar os carentes, orar pelos enfermos, visitar os órfãos e viúvas, auxiliá-los em suas necessidades. Lembre-se: devemos chorar com os que choram e nos alegrarmos com os que se alegram (Rm 12.15). Surpreenda!

(3) SURPREENDENDO NA SABEDORIA. As Sagradas Escrituras revelam que a mulher sábia edifica a sua casa (Pv 14.1). Cumpre-se tal verdade quando você, mulher presbiteriana, sempre apresenta sua família diante de Deus em oração. Nossa própria casa é como uma igreja que necessita ser cuidada todos os dias, regada pela vida devocional de cada um de seus membros. Lembre-se, portanto, do hino ‘‘Aspiração Feminina’’, “nós crentes redimidas, depomos nosso lar, e as nossas próprias vidas, perante o teu altar”, e “sê tu uma bênção!” (Gn 12.2). Surpreenda!

(4) SURPREENDENDO NA COMUNHÃO. Sejam companheiras, mulheres presbiterianas! Sejam auxiliadoras! Jamais permitam as terríveis “panelinhas”, grupos que promovem a divisão. Pelo contrário, na busca pela verdadeira união fraternal, diligenciem o bem-estar interpessoal, pois, na igreja, a comunhão é fundamental, uma santa obrigação de todos. Surpreenda!

Enfim, reconheço que as mulheres que assim procedem sempre nos surpreenderão positivamente. Agradeço a Deus pela vida das mulheres de nossa igreja, lembrando seu próprio moto: “sejamos verdadeiras auxiliadoras, irrepreensíveis na conduta, incansáveis na luta, firmes na fé, vitoriosas por Cristo Jesus”.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

OS ANJOS SÃO SERES ESPIRITUAIS E INCORPÓREOS


‘‘pois, nele [Jesus], foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades...’’ (Cl 1.16).

Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres espirituais e incorpóreos. Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11), inclusive os seres angelicais. Assim, como bem declarou Wayne Grudem, teólogo de Cambridge, “os anjos são prova de que o mundo invisível é real”.

Extraordinariamente, algumas passagens bíblicas apresentam alguns anjos assumindo uma forma física (Gn 18.2, 8; Gn 19.1, 3; Hb 13.2). Ao que parece, esses acontecimentos se deram para uma melhor compreensão da revelação divina e convencimento da realidade da presença angelical. Entretanto, ordinariamente, a maioria dos textos bíblicos apresenta que os anjos não possuem estrutura física como os homens, pois são incorpóreos, seres espirituais.

Tanto os anjos eleitos como os demônios são chamados de “espíritos”, palavra que designa o que é imaterial, ao contrário do que é corporal (Mt 8.16; At 19.12; Hb 1.14). Ao descrever a armadura de Deus, Paulo conclama os cristãos a resistirem firmes em uma luta além da materialidade (contra carne ou sangue), em uma batalha espiritual “contra as forças espirituais do mal nas regiões celestes” (Ef 6.12).

Anjos não têm carne ou ossos. Veja: quando Jesus ressuscitou, apareceu aos discípulos várias vezes. Ao vê-lo ressurreto, amedrontados, pensavam se tratar de um “espírito”. Para provar sua ressurreição física, o Senhor contrapõe expondo que um espírito não tem carne, nem ossos como eles poderiam ver (Lc 24.37, 39). Se os seres angelicais são espíritos, logo, não possuem carne ou ossos. Além disso, eles não podem ser vistos, a não ser que Deus permita. É por isso fazem parte da criação denominada de “invisíveis” (Cl 1.16). Daí a metáfora de “ventos” que é atribuída a eles (Sl 104.4; Hb 1.7). Ora, sabemos da existência do ar ainda que não possamos vê-lo.

Lembremos que anjos não se casam. Ao tratar da ressurreição com a seita dos saduceus que, inclusive, não acreditavam em anjos (At 23.8), Jesus declarou que os seres angelicais “nem casam, nem se dão em casamento”, isto é, aplico eu, os seres angelicais não podem se reproduzir, uma capacidade biológica dada a outros seres vivos, como à humanidade (Mt 22.30; Mc 12.25; Lc 20.35).

Interessante! Das três leis do físico inglês Isaac Newton se estabelece que “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço”. Entretanto, seres incorpóreos ou espirituais não estão limitados por regras como essa. Em termos da possessão demoníaca, por exemplo, muitos seres angelicais caídos ocupam o mesmo espaço, o mesmo corpo. Foi assim com o endemoninhado geraseno e a grande manada de porcos (Lc 8.30). Portanto, mesmo que os anjos sejam limitados e finitos por serem criaturas, possuem mais livre relação com o espaço e o tempo do que o homem, o que intensifica sua condição espiritual e incorpórea.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados, espirituais e incorpóreos.

Rev. Ângelo Vieira da Silva

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A BUSCA FUNDAMENTAL DO CRISTÃO


"Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no seu templo" (Sl 27.4)

Sempre vivemos um novo tempo e, com ele, novos sonhos, desejos, projetos, aspirações e realizações. Sim, em nossa mente e coração está o anseio de suprir aquelas necessidades mais fundamentais, nossas e daqueles que nos são próximos. Muitos querem sanar suas dívidas, obter um diploma, cursar uma nova faculdade, adquirir certos bens materiais há muito tempo namorados, ter mais sucesso no trabalho, receber um salário melhor, rever parentes separados pelo tempo e espaço, viajar, poupar, crescer, enfim, viver, etc..

Tudo isto pode ser muito bom, mas não representa a busca fundamental de cristãos comprometidos com Deus e com Sua Palavra. Cada desejo nosso (como os supracitados) precisa ser secundário, uma vez compreendido que Deus é o Senhor de nossa vida. É o ensinamento do Salmo: “uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo” (Sl 27.4).

Perceba: algo é pedido e buscado; é apenas uma coisa... o que é? O salmista expressa que a busca fundamental do povo de Deus, de cada cristão fiel, é a busca pelo Senhor, pela sua presença, pelo seu conselho. Eis a oportunidade de compreendermos que tudo o que mais almejamos nessa vida não deve ocupar o lugar de Deus, de Cristo, do Espírito. Como nosso Senhor ensinou, “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33).

Se Deus é aquele que supre cada uma de nossas necessidades (Fp 4.16-19), nos convêm buscá-lo e confiar em seu sustento providencial, pois declarou: “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel” (Is 41.10). A certeza é que “pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á” (Mt 7.7-8). Portanto, peça, busque e bata corretamente, busque o Senhor, à sua presença e o seu conselho.

Reflita: será que estamos buscando o que é fundamental ou trivial? Eterno ou passageiro? Do Céu ou da Terra? “Ao meu coração me ocorre: “buscai a minha presença; buscarei, pois, Senhor, a tua presença” (Sl 27.8). Também é a disposição encontrada no livro do profeta Jeremias: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13).

Buscar pelo Senhor, sua presença e seu conselho é um privilégio gracioso. As Sagradas Escrituras ensinam que bem-aventurado é aquele a quem o Senhor escolhe e se aproxima, para que assista em seus átrios; bem-aventurados os que habitam na Casa do Senhor, louvando ao Deus vivo perpetuamente. Afinal, um dia nos átrios do Senhor vale mais que mil; é preferível estar à porta da casa de Deus, a permanecer nas tendas da perversidade (Sl 65:4; Sl 84.4, 10).

Pense nisso e busque ao Senhor de todo o coração.
Rev. Ângelo Vieira da Silva



OS ANJOS SÃO SERES CRIADOS



‘O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra’’ (Sl 34.7)


Estudar angelologia, ramo da teologia que estuda os seres angelicais, é um grande desafio. Ainda mais hoje, quando o ensino bíblico nos púlpitos é escasso e muitos cristãos podem ser facilmente iludidos por fundamentos teológicos dissimulados. Para evitar um desvio da verdade quanto ao tema, pretendo colaborar com a compreensão bíblica acerca da natureza dos seres angelicais em breves pastorais.

Por “natureza” busca-se compreender a essência, o conjunto de características próprias dos anjos, isto é, o que os constitui em seu cerne, bojo, âmago. Dentro desse aspecto fundamental, a angelologia bíblica oferece fundamentos para crermos que os anjos são seres criados. Deus fez todas as coisas segundo seu propósito, “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11), inclusive os seres angelicais. Assim, como bem declarou Wayne Grudem, teólogo de Cambridge, “os anjos são prova de que o mundo invisível é real”.

Ora, os anjos não são deuses, semi-deuses, nem uma raça (não possuem capacidade reprodutiva). São criaturas distintas, seres mais elevados que o homem, razão pela qual também não devem ser interpretados como seres humanos glorificados. As Sagradas Escrituras prescrevem que o “exército do céu” e as “legiões celestes” foram criadas pelo Senhor Deus: “Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas legiões celestes. Louvem o nome do SENHOR, pois mandou ele, e foram criados” ... “pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele” (Sl 148.2, 5; Cl 1.16). Essas citações do Antigo e Novo Testamento são suficientes para afirmar que os seres angelicais, denominados aqui de ‘‘anjos, legiões celestes, coisas invisíveis, tronos, soberanias, prncipados, potestates’’, foram feitos pelo Criador.

Mas, quando isso aconteceu? Antes, durante ou depois da criação do universo ou do homem? Reflita sobre o “exército do céu”. Para muitos teólogos, esta expressão ora se refere às estrelas (Gn 2.1; Sl 33.6; Ne 9.6), ora se refere aos seres angelicais (I Re 22.19; Sl 103.20-21). Outros estudiosos delimitam ainda mais, afirmando que a criação dos anjos se deu juntamente com a criação dos céus (Gn 1.1) e antes da criação dos fundamentos da terra. Por isso, há controvérsias se tais passagens bíblicas poderiam esclarecer quando se deu a criação dos anjos.

É fato que as Sagradas Escrituras não apresentam uma informação precisa quanto ao momento que os seres angelicais foram criados. Entretanto, creio ser seguro afirmar que todos os anjos tenham sido criados simultaneamente antes da criação do homem. Além das citações bíblicas supramencionadas, é o que se deduz a partir de outros textos: “porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou” ...“Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento. 7 quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?” (Ex 20.11; Jó 38.4, 7). Ambos os textos nos direcionam na compreensão que a criação dos seres angelicais, aqui denominados ‘‘filhos de Deus’’, ocorreu antes do homem, em um tempo na qual o Senhor estabelecia os fundamentos da terra.

De um jeito ou de outro, os anjos sempre estiveram ao nosso redor. Seja na história ou nas estórias, na Bíblia ou em outros escritos religiosos, em filmes ou séries de televisão, os anjos estão lá. Assim, em meio a esse vasto e observável universo angelical, oro para que a Igreja de Jesus veja os seres angelicais como eles realmente são: seres criados.*

Rev. Ângelo Vieira da Silva

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AS PRINCIPAIS FALHAS ESPIRITUAIS

‘‘Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos’’ (2 Co 4.8-9)

Você já falhou em alguma área de sua vida? Provavelmente sim... A palavra “falha” é carregada de conceitos negativos; lembra-nos falta de acerto, erro, falta, etc. Na verdade, falhar é o mesmo que não suceder como se espera, gerando frustração. Foi uma falha que matou o piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna. Meses antes de Ayrton morrer, Michele Alboreto deu um depoimento a um programa de TV afirmando que nenhuma falha humana provocaria o acidente na Tamburello: "Eu tenho certeza - tive o mesmo acidente que o Ayrton teve, no mesmo lugar -, que, se acontecer algo nesta curva, acontece por causa de uma falha mecânica", declarou o italiano. Ainda que Alboreto não aceite a falha humana – nem mesmo os brasileiros aceitam, nem eu – lá estava uma falha que gerou morte, a falha mecânica na barra de direção. 

A realidade acima é aplicável ao nosso relacionamento com Deus. Afinal, falhas na vida espiritual podem produzir declínio na vida cristã e até mesmo morte. Charles Swindoll, renomado escritor protestante, afirma em seu livro ‘‘Perseverança’’ que existem concepções errôneas sobre a espiritualidade, o que podemos chamar de falhas espirituais. Como ele mesmo diz, estas concepções não são à prova d'água. Portanto, meu querido irmão (a), observe as seguintes falhas espirituais, medite e tome uma posição em sua vida cristã.
PRIMEIRA FALHA: achar que...
Por ser cristão, todos os seus problemas serão resolvidos.

A Bíblia nunca diz isso. Em alguns casos os problemas aumen­tam e a estrada fica mais difícil! A garantia que temos é de paz e companhia do Senhor.

SEGUNDA FALHA: achar que...
Todos os problemas que terá de enfrentar estão mencionados na Bíblia.

Não estão. Muitas ve­zes não encontramos uma resposta explícita na Escritura para o nosso problema específico. Precisamos de oração e orientação espiritual que pode ser dada pelo anjo da igreja ou por irmãos fiéis a Cristo.

TERCEIRA FALHA: achar que...
Se você está tendo problemas é porque lhe falta espiritualidade.

A existência de um problema simplesmente mostra que você é humano. Todos têm problemas e você não deixa de ser espiri­tual por lutar com um dilema. Pense em Jó e no seu sofrimento. Mesmo não entendendo, foi fiel a Deus.

QUARTA FALHA: achar que...
A exposição a ensinamentos bíblicos sólidos resolve automaticamente os problemas.

A instrução bíblica por si só não resulta em soluções instantâneas dos problemas. Pense nas Escrituras como um mapa absolutamente exato. O mapa lhe diz como chegar a um determinado destino. Mas o fato de apenas olhar um mapa não vai adiantar. O mesmo acontece na vida cristã. O mapa de Deus é confiável e está disponível. Ele também é claro e direto. Não há, porém, nenhum artifício em suas páginas que envie automaticamente o leitor ao seu destino por meio de um tapete mágico.

Pense nisto.
Rev. Ângelo Vieira da Silva

ANCIÃOS E PRESBÍTEROS: OS PASTORES DO REBANHO DE DEUS


“Fiel é a Palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (1 Tm 3.1). Sim, a aspiração da qual o apóstolo Paulo se refere aponta para aqueles que são chamados para liderar a Igreja de Deus. Seja qual for o nome (episcopado, bispo, mestre, ministro, presbítero, ancião, anjo da Igreja, embaixador, evangelista, pregador, doutor, despenseiro dos mistérios de Deus, dentre outros), as Sagradas Escrituras descrevem as qualificações e funções daqueles que são os verdadeiros pastores do rebanho de Deus. Tais títulos não descrevem graus diferentes de dignidade, mas as funções honrosas dos que são chamados para cuidar, ensinar, administrar, supervisionar e amar a Igreja de Jesus.

O jovem pastor Timóteo foi instruído por Paulo sobre as qualificações indispensáveis para aqueles que almejavam o ‘‘episcopado’’, o mesmo que ‘‘ser bispos’’ (1 Tm 3.2; Tt 1.7; 1 Pe 2.25) ou ‘‘presbíteros’’ ─ esse último percebido na maioria dos textos que tratam do assunto no Novo Testamento (At 11.30; At 14.23; At 15.2, 4, 6, 22-23; At 16.4; At 20.17; At 21.18; 1 Tm 5.17, 19; Tt 1.5; Tg 5.14; 1 Pe 5.1; 2 Jo 1.1; 3 Jo 1.1). Ora, tal ofício é uma excelente obra que todos os homens da Igreja deveriam ansiar. Assim, hoje nos apresentamos diante de Deus para uma nova eleição de oficiais, em oração e jejum, conscientes de nossa responsabilidade frente ao ensino bíblico. 

O texto hebraico e grego, o Antigo e o Novo Testamentos, esclarecem as atribuições dos pastores do rebanho de Deus. Ora, o neo-testamentário ‘‘presbítero’’ (presbyterós, gr.) é o vétero-testamentário ‘‘ancião’’ (zaqen, heb.). Ambas as palavras designam um ofício de liderança. Não que todo líder tenha que ser idoso, pois os termos também são usados para os líderes sem referência à sua idade, mas que é necessário que sejam experientes e experimentados, exemplos para todos. Por isso, abaixo faço um breve panorama do pastoreio do rebanho de Deus sob a perspectiva do ancião.

(1) O ANCIÃO NO ANTIGO TESTAMENTO. A liderança através de um concílio de homens chamados “anciãos” era muito familiar aos judeus, afinal, era uma das instituições mais antigas e fundamentais de Israel, remontando ao cativeiro egípcio (Ex 3.16, 18). Os anciãos eram os representantes oficiais do povo, chamados de “anciãos de Israel”, “anciãos dos filhos de Israel” ou “anciãos do povo”. Sendo mencionados centenas de vezes no Antigo Testamento, tinham o papel fundamental de liderar, o que fica evidente em sua participação ativa em cada evento decisivo da história de Israel. Deus reconheceu o papel de liderança dos anciãos enviando Moisés primeiramente a eles para anunciar a libertação do cativeiro (Ex 3.16,18; Ex 4.29; Ex 12.21; Ex 17.5-6; Ex 18.12; Ex 19.7; Ex 24.1, 9, 14; dentre outros).

(2) O ANCIÃO NO NOVO TESTAMENTO. No Novo Testamento os anciãos são chamados de presbíteros. À luz do livro de Atos dos Apóstolos e das cartas, vemos que os presbíteros são os representantes oficiais da Igreja com autoridade semelhante ao dos apóstolos. Eles recebem e administram recursos materiais (At 11.29-30), julgam questões doutrinárias (At 15.1-29), oferecem conselho e resolvem conflitos (At 21.18-25). Lendo-se as muitas passagens bíblicas que envolvem os presbíteros fica evidente que os mesmos foram colocados à frente da Igreja pelo próprio Deus, com a tarefa de supervisionar o povo e, assim, cumprir o mandamento de ‘‘pastorear o rebanho de Deus’’ (1 Pe 5.1-4).

Portanto, amados irmãos, os presbíteros são os verdadeiros pastores da Igreja. Devemos orar por eles antes, durante e depois das eleições. Apesar de ser uma obra excelente, é repleta de sofrimentos que podem ser resumidos nas palavras de Jesus: ‘‘o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça’’ (Mc 8.20). Por isso, ore, vote e creia: ‘‘Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência’’ (Jr 3.15).

Rev. Ângelo Vieira da Silva

SER PRESBÍTERO É...


No dia 05/08 comemora-se o Dia do Presbítero. Na Igreja Presbiteriana do Brasil, o presbítero é o oficial, o representante imediato do povo (presbítero regente), por este eleito e ordenado pelo Conselho, para, juntamente com o pastor (presbítero docente), exercer o governo e a disciplina e zelar pelos interesses da Igreja a que pertencer, bem como pelos interesses da Igreja a que pertencer, bem como pelos de toda a comunidade, quando para isso eleito ou designado. Assim, em homenagem àqueles que são verdadeiramente presbíteros, passo a discorrer em versos um pouco deste ministério tão complexo dado pelo Supremo Pastor.

Ser Presbítero é privilégio... É chamado exclusivo; é dom concedido.
Ser Presbítero é sacrilégio... É serviço consagrado, às vezes, aviltado.

Ser Presbítero é pastorear... Orar, acompanhar e cuidar.
Ser Presbítero é vigiar... Zelar, aconselhar, não o fiscalizar.

Ser Presbítero é ver-se o menor... É o que convêm, o que de pé o mantêm.
Ser Presbítero é falar do Maior... d’Aquele que excede, O que não se mede.

Ser Presbítero é liderar... Responsabilidade e exemplo.
Ser Presbítero é colaborar... Agilidade e contento.

Ser Presbítero é atacar... O lobo voraz, a falácia mordaz.
Ser Presbítero é amar... O sublime Deus, o próximo como a mim.

Ser Presbítero é difícil... É o pecador que deve tratar o pecado.
Ser Presbítero é vitalício... É estar pronto, procurar estar capacitado.

Ser Presbítero é aspirar... Aquela excelente obra na vida.
Ser Presbítero é expirar... É proferir as virtudes da Vida.

Ser Presbítero é tomar parte... na Ceia Santa, na ordenação Sagrada.
Ser Presbítero é estar à parte... do mundo maligno, do pecado redivivo.

Ser Presbítero é ser humano... Pode errar, pecar, se enganar.
Ser Presbítero é ter percepção... Da ilusão, armadilha ou desatenção.

Ser Presbítero é emoção. Ser Presbítero é ser o ancião.
Ser Presbítero é vocação. Sê Presbítero de coração!

Amém.

Sou grato a Deus pelos presbíteros de nossa amada Igreja. Ao Conselho atual, aos eméritos, àqueles em disponibilidade e aos que residem em outros lugares, minhas sinceras felicitações e orações por ministérios profícuos na presença do Altíssimo. ‘‘Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles... pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória’’ (1 Pe 5.1-4). “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel” (1 Co 4.2).

Rev. Ângelo Vieira da Silva

O TERCEIRO TEMPLO EM JERUSALÉM



Recentemente fui abordado por alguns irmãos sobre a suposta profecia da construção do terceiro Templo em Jerusalém e o advento do Anticristo. Ao que parece, o assunto está em voga devido a artigos compartilhados em redes sociais (até anacrônicos) e um presumido sinal divino da novilha que nasceu vermelha (Nm 19), pois alguns judeus declararam: “sem o nascimento de uma novilha vermelha, de nada adiantaria reerguer o templo que já foi construído e destruído duas vezes”. Nesse ínterim, os preparativos envolvem o treinamento de novos sacerdotes (levitas), a elaboração das medidas do templo e a manufatura dos objetos que serão ali utilizados, dentre outros.

Esse tipo de interpretação da Bíblia é muito difundido pelos movimentos pentecostais, neopentecostais, seitas, Chamada da Meia-Noite, Seminário de Dallas (etc.) e avança nas igrejas protestantes históricas. É chamado de dispensacionalismo e, sem dúvida, consiste do mais complexo, literal e exagerado método de se interpretar as profecias bíblicas. Eu não creio dessa forma. Aliás, o sistema dispensacionalista não deveria ser aceito por qualquer cristão comprometido com as Escrituras por muitas razões que não cabem nessa breve pastoral.

O primeiro Templo foi edificado por Salomão e durou quase quatrocentos anos, pois fora destruído pela Babilônia em 586 a.C. No mesmo local do primeiro, Artaxexes permitiu que o segundo Templo fosse construído após o exílio. Remodelado por Herodes e durando quase seiscentos anos, foi destruído pelos romanos em 70 d.C. Já o terceiro Templo seria maior que os dois primeiros e sua construção no chamado monte do Templo marcaria a proximidade do arrebatamento secreto da Igreja e o reinado mundial do Anticristo. Pois bem, eu não acredito em uma doutrina que determina a construção do terceiro Templo como condição sine qua non para o fim dos tempos. Por quê? Resumidamente: 

1. Porque não há nenhuma passagem bíblica que profetize a construção do terceiro Templo. Entenda que os textos de Daniel e Mateus não respaldam a construção do terceiro Templo em Jerusalém. O “cessar o sacrifício e a oferta de manjares” citado por Daniel (Dn 9.27) não descreve a construção do terceiro templo, mas o término dos sacrifícios e profanação do templo feitas por Antíoco Epifânio (168 a.C.). O “abominável da desolação” confirmado por Jesus em Mateus (Mt 24.15) não remete à construção do terceiro Templo, mas apenas ao aparecimento do Anticristo com a mesma – e até mais terrível – perseguição nos moldes de Antíoco, sob a bandeira de Roma.

2. Porque a construção do terceiro Templo e, consequentemente, a restauração do modelo mosaico de sacrifício é uma afronta ao sacrifício de Cristo. Muitos judeus ainda esperam o Messias e, logo, restaurar o templo e o culto mosaico não seria um problema teológico em si. O cristão, por outro lado, compreende que o Messias já veio: Jesus. Ele cumpriu a lei, rasgou o véu pelo seu único e suficiente sacrifício (Mt 27.51; Hb 8.6). Retomar o antigo sacerdócio é o mesmo que invalidar o sacerdócio de Cristo. O Cordeiro de Deus foi morto, ressurgiu e tira o pecado do mundo (Jo 1.29).

3. Porque é uma afronta ao verdadeiro terceiro templo criado por Deus, nos homens redimidos, santuários do Espírito Santo de Deus. O povo de Deus, a Igreja, os homens redimidos se constituem o verdadeiro terceiro Templo dedicado a Deus (1 Co 3.16-17; 1 Co 6.19, 16; Ef 2.21-22).

Não obstante, afora tudo isso, os judeus ainda têm a dificuldade do lugar para a tal construção. Afinal, o Domo da Rocha, uma edificação islâmica no monte do Templo, precisaria ser retirado (é ali que, supostamente, está a pedra angular do antigo templo judaico). Se o Messias tornará isso possível ou não (bem como as outras opiniões existentes), é algo que o judaísmo pretenderá resolver. Os cristãos não devem nem precisam se preocupar com a construção do terceiro Templo ou até da réplica do Edir. De fato, espero que os cristãos estudem a Escritura com seriedade para compreenderem o sentido e cumprimento das profecias bíblicas durante a história num todo.

Rev. Ângelo Vieira da Silva